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quarta-feira, 5 de maio de 2021

Caminhada nas traseiras do Palácio de Queluz



Estando lá é como estar num lugar secreto. Sentada no meio da vegetação e olhando de um ponto de vista elevado o jardim do palácio.
De longe o lugar parece banal. Afinal está mesmo encostado à IC19, e não é mais do que uma faixa de terreno, onde passam caminhantes, pessoas passeando cães e corredores.
A pressão suburbana ditou o que se fez por ali e praticamente estrangulou o Palácio de Queluz, que ainda conheci envolvido num ambiente mais rural.
O desenho ajudou-me a esquecer todos os constrangimentos e reforçou o sentir do que ainda há de mágico neste lugar. 
Começando a desenhar, logo reparei que ao fundo se vê a torre da Igreja Matriz da Amadora, o que ajudou a criar profundidade.
Ali, sentada no meio das plantas espontâneas, saboreio a vista das árvores do jardim do palácio, e os pequenos seres que por ali andam. 
A certa altura vi um pequeno caracol num ramo, relativamente perto de mim, e a partir daí trabalhei o contraste da imagem para que ele tivesse o seu lugar nobre no desenho.


quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

Cláudia Mestre


O retrato tem sido uma das minhas grandes paixões desde que me encontrei no gesto de desenhar. 
Cada pessoa, no momento em que a vou desenhar, tem as linhas do desenho já em si. Tem as sombras e a luz próprias do seu ser, o seu próprio ritmo e a sua própria dignidade.
Desenhar um retrato é servir esse ser que está em frente de nós.

Para mim, o desenho de um retrato é uma escultura de luz. Ao desenhar sou apenas uma servidora que deixa essa luz aparecer.
Amar e servir, pensei… como as divisas de uma ordem ou profissão. :)
Um pintor ou um desenhador é realmente um servidor. Toda a criatividade tem como função servir a vida, torná-la bela, luminosa. E não estou a falar de beleza como um artifício, mas da beleza límpida da alma, a beleza do próprio ser, com tudo o que faz parte dele.

E isto para dizer que este retrato da Cláudia Mestre me deu um prazer imenso a fazer, no ambiente feliz do 10º aniversário dos Urban Sketchers Portugal.
Estávamos sentadas num círculo de pessoas a retratarem-se mutuamente, aquilo a que chamam de duelos, mas que eu senti mais como um dueto, pela comunicação que se estabeleceu nesses momentos em que cada uma estava centrada na outra.
Agradeço à Cláudia pela disponibilidade de posar com a calma dela, e por ser uma pessoa tão serena, que trouxe toda essa luz ao desenho.
Quando olho para este retrato vejo uma figura renascentista, e ela é uma mulher afinada com o renascimento de uma nova era de respeito pela Natureza.


E aqui está o desenho que ela fez de mim. :)